• 29 de setembro de 2020

10 atalhos cognitivos para evitar no Criminal Profiling

 10 atalhos cognitivos para evitar no Criminal Profiling

10 atalhos cognitivos para evitar no Criminal Profiling

No Criminal Profiling existem diversos erros comuns que podem ser cometidos pelos profilers na hora de colocar em prática seus conhecimentos. Já foi abordado o tema das falácias recorrentes nesse ramo e aqui vamos falar dos atalhos cognitivos que são armadilhas nas investigações.

Existem 10 tipos principais de heurísticas que não deveriam ser utilizadas em uma investigação. Heurística se refere a processos cognitivos para tomar decisões que ignoram parte da informação para encontrar uma resposta rápida e fácil para o seu significado.

Atalhos cognitivos

Lembrando que no Criminal Profiling não existem decisões rápidas e fáceis; as informações passam por um processo longo e minucioso. E, por isso, é necessário sempre evitar atalhos cognitivos, como os colocados a seguir:

1. Heurística da disponibilidade

Através da quantidade em maior número de verdades obtidas em relação às mentiras no comportamento de alguém, o raciocínio assume a lógica de que esses comportamentos devem ser honestos. Não existe a qualificação das informações, o que importa é a quantidade.

2. Heurística de ancoragem

Conclusões assumidas prematuramente dificilmente são mudadas e adaptadas a novas informações. A informação inicial vira uma âncora atrapalhando assimilação de informações futuras.

3. Heurística de viés de verdade relacional

Quando existe uma relação próxima do investigador com o interlocutor, o julgamento é mais tendencioso a favor e visto como verdade. É preciso sempre ter um distanciamento.

4. Heurística da prova

Se não é observado que uma informação é falsa, ela é aceita como certa. Na verdade a informação precisa ter sua veracidade comprovada, não basta que a falsidade não seja aparente.

5. Heurística de representatividade

A tendência de utilizar de esteriótipos específicos para chegar a certas conclusões sem analisar o todo. Como, por exemplo, analisar uma característica, como a timidez, como suficiente para chegar a uma conclusão sobre um crime.

6. Heurística de consistência

Se vários juízos de valor são considerados verdadeiros consecutivamente, os próximos juízos também o serão necessariamente, pois ocorre a presunção automática, algo que não deveria ocorrer.

7. Heurística da violação da expectativa

Julgar as reações que são incomuns em uma conversa como algo falso. Existe uma expectativa interna de como uma conversa deve ser, para ser considerada verdadeira.

8. Heurística da aparência facial

Achar que faces simétricas e mais atraentes são automaticamente mais honestas para quem investiga.

9. Heurística da primazia da pista visual

Observar somente o que está ao alcance do olhar para determinar se a pessoa está mentindo, não compreendendo que existem diversas informações que precisam ser observadas em conjunto para chegar a certas conclusões sobre a pessoa entrevistada.

10. Heurística da pista única

Por causa de um único comportamento a pessoa está mentindo, como desviar o olhar ou tremer o lábio. Utilizar conhecimentos de micro-expressões isoladamente e sem o devido preparo pode prejudicar todo o entendimento da situação.


Essas heurísticas são observadas principalmente em casos de análise de comportamentos falsos de pessoas entrevistadas, mas podem ser vistos em qualquer análise de informações. São armadilhas mentais que precisam ser percebidas e trabalhadas para que não atrapalhem na atuação.

É importante sempre olhar o todo, prestar atenção em todas as informações possíveis, entender os seus contextos, sempre do maior para o menor, tentando evitar ao máximo o julgamento e ideias preconcebidas.


REFERÊNCIAS

PAULINO, M. ALMEIDA, F. Profiling, vitimologia & ciências forenses: perspectivas atuais. 2. ed. Pactor: Lisboa, 2013.


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Verônyca Veras

Especialista em Criminal Profiling. Advogada.