Entrevistas

Falsas memórias e sociedade (Entrevista com Elizabeth F. Loftus – parte 6 – final)

Qual a lição final que podemos aprender dos estudos das falsas memórias?

A Ciência da Falsa Memória é o título de obra de 557 páginas publicada pela Oxford University Press (Brainerd & Reyna, 2005). Milhares de pesquisadores contribuíram para consolidar esta ciência. Apesar de mais de um quarto de século de investigação, falsas memórias seguem sendo um problema para a sociedade.

Centenas de indivíduos – muitos deles por causa das falhas na memória de alguém – têm sido condenados injustamente. Enquanto estavam na prisão, o verdadeiro culpado estava livre – geralmente cometendo novos crimes. Centenas, se não milhares, de pais, mães, tios, avós e vizinhos são acusados por crimes que nem ao menos ocorreram. Alguns acusados permanecem nas prisões e as falsas memórias são a causa principal.

A ciência das falsas memórias nos ensina muito sobre inovações que podem reduzir estas tragédias e a polícia, profissionais da saúde mental, entre outros, já estão implementando algumas destas mudanças (Cutler, 2013). Comunicar o que temos aprendido ao público em geral nos leva a um longo caminho para minimizar os danos que as falsas memórias podem causar. Se houvesse uma única lição a ser aprendida dos nossos estudos, seria: somente porque a memória é expressa com confiança, somente porque contém detalhes, somente porque é expressa com emoção, não significa que realmente aconteceu. Não podemos, ainda, com segurança, separar falsas memórias de verdadeiras; ainda precisamos de confirmação independente.

Avanços em neuroimagem e outras técnicas podem, algum dia, ajudar neste tópico (Schacter & Loftus, 2013). Enquanto isso, nós, como sociedade, faríamos bem em manter em mente que a memória, como a liberdade, é frágil.

REFERÊNCIAS

Brainerd, C. J. & Reyna, V. F. (2005). The science of false memory.  New York: Oxford University Press.

Cutler, B.L. (Ed)  (2013)  Reform of Eyewitness Identification Procedures. Washington D.C. American Psychological Association Press.

Schacter, D.L. & Loftus, E.F. (2013)  Memory and Law: what can Cognitive Neuroscience Contribute?  Nature Neuroscience. 16 (2), 119-123.

ElizabethLoftusTradução de Rodrigo Coutinho Carril, advogado criminalista.

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Redação

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