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Killerismo feminino

killerismo feminino

Killerismo feminino

Pode-se dizer que, através das evidências de crimes analisados até hoje, o número de mulheres serial killers é predominantemente menor do que o dos homens, pois, muitas vezes, o killerismo feminino leva a questões psicossociais predisponentes enfrentados ainda na infância, como o abuso sexual, os maus-tratos e a rejeição, influenciando preeminentemente na fase adulta. O fator impulsividade feminina também possui grande influência, mas, ainda assim, a delinquência por fatores psicossociais se sobrepõe.  

Killerismo feminino

Há diversos estudos acerca da vida pregressa das mulheres seriais killers. Entre os casos mais famosos está o de Aileen Wuornos, serial killer americana condenada à morte pelo assassinato de seis homens. Aileen se utilizava do mesmo modus operandi, executava suas vítimas a tiros ao longo das estradas estaduais. Em juízo, alegou que matou em legítima defesa, porém dificilmente o júri acreditaria no assassinato de seis pessoas por legítima defesa.

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No julgamento, as únicas testemunhas que depuseram a favor de Aileen foram os psiquiatras, os quais declararam que ela sofria de transtorno de personalidade fronteiriça, frisando que sua infância “tumultuada” havia “arruinado qualquer chance de normalidade em sua vida adulta”.

Cabe ressaltar que a família possui grande influência no desenvolvimento mental da criança, o que levou Aileen, com sua educação familiar deficiente, ao percurso criminal ainda jovem, onde cometia pequenos furtos e roubos. Segundo Jorge TRINDADE (2011):

Os vínculos formados durante a primeira infância afetam a capacidade de estabelecer relacionamentos íntimos posteriores ao longo de toda a vida, marcando as experiências seguintes enquanto expressões emocionalmente reeditadas de acordo com os padrões preestabelecidos nas relações afetivas dos vínculos precoces.

O pai de Aileen era um sociopata e molestador de crianças. Sua mãe casou-se aos 15 anos, tendo um casal de filhos, no qual deu em adoção aos avós maternos. Aos 6 anos, Aileen sofreu queimaduras na face, enquanto brincava com o irmão de “fazer jogos com fluido de isqueiro”. Esse que mais tarde veio a ser acusado por Aileen, de fazerem sexo desde “a mais tenra idade”.

Aos 12 anos, descobriu que quem os criava eram seus avós, vindo a revoltar-se contra eles. Aos 14 anos, ficou grávida, tendo ficado em um abrigo para mães solteiras durante toda a gestação. “Lá as pessoas a achavam hostil, não cooperativa e antissocial” (CASOY, 2014, p. 294). Em 1971, deu à luz ao filho, que logo após o nascimento foi dado em adoção.      

O perfil criminoso de Aileen não é um caso isolado. Existem diversos outros percursos criminais de assassinas em série que ficaram para a história, como a de Myra Hindley, que auxiliava seu marido, Ian Brady, a praticar diversos assassinatos brutais. Entre as vítimas estavam crianças pequenas, que eram estupradas e estranguladas pelos assassinos. Há também os casos das seriais killers “envenenadoras”, como Margarita Sánchez, que matava suas vítimas através de doses letais de veneno. 

Isabel Báthory, “a condessa sangrenta”, foi considerada a assassina mais cruel da história, pois torturava e matava suas serviçais da forma mais atroz possível. Entre as torturas estavam desde chutes e socos até a extração de dedos com pinças. E tudo isso pela simples obsessão e prazer em matar. Já no Brasil, as assassinas em série que se destacaram pela maneira fria, cruel e calculista foram:

  1. Maria Nazaré Félix de Lima, a “Viúva Negra do Sertão”;
  2. Alice, “a Vingadora”;
  3. “Tia Maluca”; e
  4. Marli Teles de Souza, a “Viúva Negra”, de Santa Catarina (SC). 

O que essas mulheres têm em comum? O sadismo, o passado violento e o modus operandi. Nem sempre a motivação é a mesma, pois algumas matam visando ao lucro, outras o sexo ou sadismo, o poder e controle sobre o outro ou até mesmo pela lealdade aos seus companheiros.

O que não se pode negar é que a violência pode atingir qualquer classe social, gênero, raça ou idade. Alguns crimes podem ocorrer por circunstâncias alheias e, outros, pelo simples prazer de matar. Como bem descreve Janire RÁMILA (2012):

Nossa missão será educar nossos filhos na igualdade, ensinando-os o bem e o mal, tornando-os seres morais, dando-lhes uma escala de valores indestrutíveis.

Talvez assim já seja um grande passo para tentar evitar que se tornem futuros adultos cruéis e sem empatia, mostrando-os a preponderância do “trato com respeito” aos nossos semelhantes, sem nenhuma distinção.


REFERÊNCIAS

CASOY, Ilana. Serial Killers: louco ou cruel?. Rio de Janeiro: Darkside, 2014.

RÁMILA, Janire. Predadores humanos, o obscuro universo dos assassinos em série. São Paulo: Madras, 2012.  

TRINDADE, Jorge. Manual de Psicologia Jurídica. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.


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Autor

Pós-graduanda em Direito Penal e Processo Penal pela UniRitter Laurete International Universities de Porto Alegre/RS e Pesquisadora.
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