• 30 de setembro de 2020

Laranja Mecânica, Tsuki No Me e o avanço da onda fascista

 Laranja Mecânica, Tsuki No Me e o avanço da onda fascista

Laranja Mecânica, Tsuki No Me e o avanço da onda fascista

O século 21 é marcado por grandes revoluções tecnológicas, garantias de direitos a comunidade LGTBQ+, aos negros, as mulheres, revoluções medicinais e outros avanços. Porém, mesmo com esses avanços, no seu contraponto há o avanço reacionário e fascista. 

Os últimos anos da década de 10 tem sido marcado por manifestações e avanços da extrema-direita em todo mundo, inclusive na Alemanha, onde a extrema-direita e suas ideias eram/são completamente repudiados. E a pergunta, caros leitores, é por quê? Será que negligenciamos essas “pessoas” e elas cresceram à sombra da democracia? 

O maior motivador de atitudes estúpidas do ser humano é o medo. O medo, sentimento criado pelo corpo, mais precisamente na amígdala, e nos faz ficar em estado de tensão e alerta, pois algo de ruim está prestes a acontecer. 

O medo, de fato, é um sentimento que nos manteve vivo desde os primórdios. E esse seria o medo “bom”. Todavia, o medo produz no ser humano certas projeções imaginárias, que levaram alguns “humanos” a cometerem atrocidades. Um exemplo foi o Tribunal da Santa Inquisição, promovido por Igreja e Estado para caçar e prender hereges e Bruxas e os regimes nazistas, na Alemanha e o fascista, na Itália. 

E esse mesmo ideário é utilizado na famigerada busca pela “paz”. O que justifica penas pesadas, pena de morte, tortura, isolamentos, genocídios. E é esse ideário em comum que perpassa pelo livro Laranja Mecânica, de Anthony Burguess, pelo Projeto Tsuki no Me (Plano Olho da Lua), do Anime Naruto Shipuuden e o avanço da onda Fascista, todos interligados por um medo imaginário.  

Laranja Mecânica é um clássico romance num futuro distópico, que se passa na Inglaterra nos anos 70. 

Conta a história de Alex DeLarge e seus Druigs (garotos), que aos 14 anos de idade cometiam crimes bárbaros, como estupro, latrocínio, assassinatos. Bebiam, fumavam, brigavam com outras gangues, batiam em mendigos. Ou seja, tudo de mais grave e reprovável pela sociedade. 

Como o governo vinha perdendo na guerra contra a criminalidade e delinquência juvenil, fora desenvolvida uma “tratamento” chamado de técnica Ludovico. 

A técnica consistia na associação de cenas de violência ao sentimento de mal-estar. O paciente era obrigado a tomar um remédio e ficava assistindo por horas cenas de violência explícita para condicionar seu cérebro. Assim, o paciente quando pensasse em violências ou qualquer coisa similar, começaria a se sentir mal e perderia os sentidos. 

Alex foi o primeiro paciente a receber o tratamento. Recebendo, portanto, um tipo de livramento condicional e pode voltar a conviver em sociedade. Mas, ele não conseguia mais ser ele mesmo. Uma vez que, não tinha mais qualquer tipo de livre arbítrio. 

A técnica utilizada nele foi com o intuito de prevenir que ele delinquisse no futuro. Como se fosse possível prever o que uma pessoa fará daqui a 2 minutos, não é? Por trás de tentar prevenir que a pessoa delinquisse no futuro está o MEDO. O medo de que houvesse a reincidência fez ser criado uma técnica que retirava o livre arbítrio da pessoa com um intuito: o de controlar o ser humano. 

O projeto Tsuki no me – Projeto olho da lua –, é um maquinado por Uchiha Madara, vilão do anime Naruto Shipuuden. 

Uchiha Madara foi o precursor do Clã Uchiha, irmão de Senju Hashirama e ambos fundaram a Aldeia da Folha, no país do fogo. O primeiro era marcado por seu ódio e falta de empatia e compaixão, o segundo era totalmente o oposto. Se tornando o primeiro Hokage (Líder da aldeia) da Aldeia da Folha. Todos eles eram ninjas. 

Uchiha Madara era complemente contra o jeito que Senju liderava a aldeia e tentou um golpe de estado para tomar o poder. Porém, não teve sucesso vindo a “morrer”. 

A sociedade do anime é marcada por muitas guerras ninjas, mortes, desavenças e golpes de estado. Uchiha Madara acreditava que para a sociedade ficar em paz e harmonia seria apenas sob a égide de uma mão forte e um estado totalitário. Diferentemente disso, a paz nunca seria alcançada. Para isso, certa vez, tentou a destruição de sua aldeia através de uma Bijuu – besta de cauda – a Raposa de Nove Caudas

O projeto olho da lua, Tsuki no me, seria a “paz”. Seria realizado sob forma de um genjutsu (hipnose) criada por uma grande lua de Mangekyou Sharingan (poder emanado pelos olhos dos ninjas do Clã Uchiha), que comandaria toda a humanidade, tirando a liberdade, suprimindo vontades, anseios, desejos e assim, a humanidade não teria mais guerras. 

Os fascistas acreditam exatamente nisso. Não diferentemente disso, no livro de George Orwell, 1984, o Grande Irmão controlava a sociedade totalitária daquele livro sob mãos de ferro. Inventando inimigos imaginários, cultivando o ódio e o medo (minuto do ódio). Fazendo crianças espionarem seus pais. E quem tivesse pensamentos divergentes seria entendido como espião. 

O fascismo não tem traços bem definidos como o nazismo, contudo é certo que todo regime fascista tem anseios em supressão de liberdade de expressão e a cultivação do medo. 

Atualmente, o Brasil vive sob uma enxurrada de fake news e criando de inimigos imaginários. Ora são os comunistas, ora é a doutrinação “gayzista”. O medo do filho ser homossexual, o medo do capitalismo virar um socialismo e o rico ter que dar todo seu dinheiro ao pobre. Tudo isso permeou essa “Intentona Fascista” no Brasil, sob a batuta do seu Messias. 

Nesse momento, temos um real e verdadeiro inimigo, o COVID-19 – Coronavírus – e o presidente faz pouco caso de um vírus, que apesar de sua baixa letalidade entre os mais jovens, é cruel com os mais velhos, haja vista a situação italiana. E, para ele é apenas uma “gripezinha”. Enquanto outras questões, como o PT, Lula, a esquerda e a queda do STF são mais importantes. 

O medo é a chibata dos seres humanos. Aqueles que conseguem controlar o imaginário dos cidadãos têm em suas mãos uma poderosa arma. Porque, conseguem guiar o seu gado para o lado que quiser e contra quem quiser.  


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Arthur Almeida